Ler o cartão antes de tocar no vidro
O cartão é o desenho à escala real do painel e funciona como contrato entre a ideia e o vidro. Antes de cortar seja o que for, lê-se o cartão inteiro: onde passam as linhas estruturais, que peças ficam suspensas de apenas duas juntas, onde é que uma curva demasiado fechada vai obrigar a partir uma peça em duas. Corrigir isto no papel custa um lápis; corrigir depois custa vidro.
O método corrente é trabalhar com três cópias do mesmo desenho. Uma fica intacta na parede como referência de cor e de sentido. A segunda é recortada em gabaritos, peça a peça, com tesoura de três lâminas, que retira uma tira estreita de papel correspondente à alma do perfil de chumbo. A terceira serve de base de montagem: é sobre ela que o painel cresce, dentro dos réguas de esquadria fixas à bancada.
A largura dessa tira retirada depende do perfil escolhido — normalmente entre 1,2 e 1,8 mm. Se o gabarito não descontar a alma, o painel fecha maior do que o vão e não há soldadura que resolva o erro acumulado ao longo de vinte juntas.
O que fica registado no cartão
- Numeração sequencial de todas as peças, sempre no mesmo sentido de leitura.
- Referência do vidro de cada peça: cor, textura e face a utilizar.
- Sentido da têmpera visual — estrias, marcas de sopro, movimento do vidro laminado.
- Largura de cada perfil, distinguindo os filetes interiores dos perfis de contorno.
- Limite exterior do painel e folga prevista para o aro ou caixilho.
- Posição das barras de reforço, marcada antes de o desenho ser considerado fechado.
- Zonas destinadas a pintura, que exigem vidro mais liso e reserva de espaço para a cozedura.